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quarta-feira, 20 de agosto de 2014
A Fé que Move o Leblon

(30/10/2007)

Reprodução

ATENÇÃO: (19/05/2011)
Pedro Siqueira não está mais na Paróquia Santa Mônica fazendo suas orações e sim na Paróquia Nossa Senhora da Conceição na Gávea - Rio de Janeiro - RJ

Uma vez por mês, o advogado Pedro Siqueira reúne cerca de 500 pessoas que esperam mensagens de Nossa Senhora por intermédio dele

 

Toda última terça-feira do mês, cerca de 500 pessoas lotam a Igreja Santa Mônica, no Leblon. Num canto do altar, em frente a um microfone, o responsável pelo agrupamento é Pedro Eduardo Siqueira, que não é padre nem frei. Ele é advogado e comanda mais uma reunião do terço, não fosse um detalhe: Pedro tem o que ele chama de dom do Espírito Santo — o de ver e receber mensagens de Nossa Senhora. Durante as orações, Pedro envia em torno de 20 mensagens a pessoas que ali estão. Desde 1996 acontece assim.

 

Espalhadas pelas 24 fileiras de longos bancos, muitas pessoas choram. Algumas levantam os braços e rezam em tom mais alto. Outras se ajoelham e preferem silêncio. O clima é de comoção.

 

No encontro, que une idosos, jovens da Zona Sul, mães com filhos e casais de namorados, o advogado canta músicas religiosas, toca violão, lê passagens da Bíblia, dedica algumas palavras a todos os presentes, que independente da raça, classe ou religião, todos são bem-vindos, e reza o terço. Os “recados” podem ser para a moça que está forçando o casamento com o noivo, para o homem que disputa a herança do pai com os irmãos ou para a enfermeira desempregada que está precisando de dinheiro. Em alguns casos, ele aconselha como agir e chega a afirmar o que vai acontecer.

 

Ele disse que Nossa Senhora estava falando para a moça que não parava de chorar por causa do acidente da mãe ficar tranqüila que ela voltaria a andar e se recuperaria totalmente. Foram semanas na UTI, mas aconteceu exatamente como foi dito naquele dia.

 

Pedro se mostra um homem totalmente comum. Simpático, inteligente, habilidoso com as palavras como um advogado deve ser, 36 anos recém-completados, um par de óculos pousado no nariz, cabelo bem comportado, camisa social e calça de prega, ele chegou de mais um dia de trabalho como professor universitário. O bairro lhe é pra lá de familiar. Pedro estudou ali mesmo, no Colégio Santo Agostinho, que abriga a igreja. Na adolescência, formou uma banda com os amigos para cantar Beatles e MPB e gostava de sair com a turma para bares e boates.

 

Durante a graduação na PUC, namorou sério com a que hoje é sua atual esposa, a também advogada Natália. Filho de pais católicos divorciados, torcedor do Fluminense, vai á missa todos os domingos e sempre rezou o terço porque se sentia bem.

 

Reprodução

 

As reuniões começaram pequenas, no apartamento da mãe, simplesmente porque ele tocava instrumentos e então ficou decidido pelo grupo fazer os encontros lá. Pedro transformou a tradicional reza do terço em algo mais animado, com músicas, se aproximando um pouco do movimento católico Renovação Carismática, do qual o padre Marcelo Rossi faz parte. E via as mensagens e imagens durante as orações, mas ficava calado, não só de Nossa Senhora, mas de outros santos e anjos.

 

Até que resolveu dizer uma coisa ou outra e isso atraiu muita curiosidade, e em poucos meses, o apartamento ficou apertado para o número de interessados. O frei Antônio Moreno, apesar de ressabiado com o pedido do ex-aluno, acabou cedendo o espaço, 11 anos atrás, porque ficou intrigado com a parte das mensagens.

 

Já o pároco João Ormazabal, que comanda a igreja hoje, diz que esse tipo de manifestação é bem-vindo na Santa Mônica, pois atrai muita gente para a oração do terço na igreja, com a qual o brasileiro tem muita afinidade.

 

As reuniões, no início semanais, passaram para uma vez por mês por conta do cotidiano de Pedro, que trabalha o dia inteiro, e não mora mais no Leblon. As mensagens, antes enviadas com o nome do destinatário, hoje são mais genéricas, porque causava muita ciumeira, com cobrança das pessoas que vinham no fim saber por que elas não tinham recebido recado.


Reprodução


Agora não cobram mais recados, mas, depois de acabada a reunião, uma fila se forma em frente a ele. Querem uma palavra de conforto, um toque, deixar um bilhete com um desejo e pedir cura para doenças de parentes e amigos. Pedro, que toca um a um enquanto faz uma oração silenciosa, e tem vários casos bem sucedidos de cura através de sua intercessão.

 

Pedro nunca fez propaganda nem apareceu na imprensa, o boca a boca resultou em igreja cheia, não quer ser idolatrado e fica preocupado com a palavra fenômeno porque não quer ser objeto de curiosidade, afirmando que tudo o que manifesta não é ele, vem dos céus, e que ele é apenas um canal.

Fonte: Revista O Globo

ATENÇÃO: (19/05/2011)
Pedro Siqueira não está mais na Paróquia Santa Mônica fazendo suas orações e sim na Paróquia Nossa Senhora da Conceição na Gávea - Rio de Janeiro - RJ









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